Metáforas e representações do Coração na Arte Moderna e Contemporânea – Sandra Leandro

8 de Junho
Metáforas e representações do Coração na Arte Moderna e Contemporânea- partes I, II e III
Sandra Leandro
Universidade de Évora

Metáforas e Representações do Coração na Arte Moderna e Contemporânea

Sandra Leandro

Parte I – Josefa Greno (1850-1902), Fanny Munró (1846-1926), Joana Vasconcelos (1971) – mulheres artistas.

«Será uma simples metáfora a “visão pelo coração”? A metáfora da visão intelectual tem sido (…) a definição de uma forma – até agora a mais decisiva e fundamental – de conhecimento».

Maria Zambrano – A metáfora do coração: e outros escritos, p. 20.

A metáfora do coração é o título de um conhecido livro de Maria Zambrano, que comecei por tomar como expressão unificadora de três obras e percursos bem diferenciados. Apresento também uma declaração de intenções: gostaria de desenvolver este tema até ao fim da vida quer na sua versão metafórica, quer no que diz respeito à representação. Além do sujeito-objecto coração, convém delimitar o que se entende por metáfora e também aqui segui Maria Zambrano que a considera como «uma forma imprecisa de pensamento. (…) a metáfora desempenhou na cultura uma função mais profunda, e anterior, que está na raiz da metáfora usada na poesia. É a função de definir uma realidade inabarcável pela razão, mas propícia a ser captada de outro modo. E é também a sobrevivência de algo anterior ao pensamento, pegada num tempo sagrado, e, portanto, uma forma de continuidade com tempos e mentalidades passadas, coisa tão necessária numa cultura racionalista».

Tanto quanto se sabe a representação figurativa mais tradicional da forma-coração, surgiu no século XIV, e é originária das oficinas que produziam papel: surgiu como marca de fabrico. O modelo parece ter sido uma folha de árvore. Assim, a configuração parece não derivar da anatomia humana, mas da botânica, especialmente da folha do lilás – «Quais as características do coração que os fabricantes do papel pretendiam simbolizar nas suas filigranas, se isto mesmo era sua intenção ou se apenas lhes interessava uma forma agradável, não nos revelaram. É pouco provável que tivessem em vista um símbolo erótico, pois o papel era destinado, em especial, a chancelarias, e não a cartas de amor»…

I. Josefa Greno: coração duplicado

Josefa Saez Garcia nasceu em Medina Sidonia em 1850. Filha de Maria Seoane e do capitão-general José Garcia Saéz, falecido teria ela três anos, viveu em Sevilha até aos catorze, ali frequentando um colégio onde aprendeu os rudimentos da leitura, escrita e aritmética bem como desenho e bordados, tendo mais tarde um professor particular. Aos catorze ou quinze anos foi residir para La Coruña, de onde sua mãe era natural, e deveria ter cerca de vinte quando planeou, conjuntamente, o regresso a Sevilha. Contudo, os sobressaltos causados pela III Guerra da causa Carlista desviaram-lhe a rota para Lisboa.
Por volta de 1870, conheceu na capital portuguesa um finalista do curso de Pintura da Academia de Belas Artes – Adolfo César de Medeiros Greno. Entretanto, Josefa dedicou-se aos bordados e à alta-costura., tentando também a literatura publicando poesias e contos em revistas espanholas.
Em Maio de 1876, Adolfo Greno fez provas para pensionista em Paris e tendo ganho a bolsa desenhou-se-lhe um problema: teria que optar ou por Josefa ou pela pensão, pois naquela época os artistas não poderiam ser pensionistas se fossem casados… Após certa hesitação optou pelas duas, celebrando-se o casamento pouco antes da partida. A mãe de Josefa acompanhou o jovem casal.

Josefa Greno
Fig. 1 – Fonte: ALDEMIRA, Varela – A pintora Josefa Greno: nova autópsia dum velho caso.

Na casa que habitaram na Cidade-Luz, recebiam habitualmente poucas visitas. Josefa pousava nessa época como modelo do marido sendo o Nu, enviado em 1877 para a Academia de Belas Artes de Lisboa, um dos trabalhos que o registam. Para compensar a pouca produtividade do marido que “se perdera” na boémia parisiense decidiu aprender Piano e Pintura.

Nunca saberemos, nem é o nosso propósito aqui, apurar a responsabilidade de cada um na ruína de um vínculo afectivo…
A sua estreia como pintora ocorreu na XIII Exposição da Sociedade Promotora de Belas Artes inaugurada em 8 de Junho de 1884, em Lisboa. Apresentou-se, como era indispensável na época, como discípula de Adolfo Greno.

As suas obras causaram enorme espanto discutindo-se «a surpresa Greno». Conforme Varela Aldemira registou, eram frequentes os comentários desconfiados: «Estes trabalhos não são de mulher. Há aqui um à-vontade, um domínio na maneira de atacar o assunto que impressiona, agrada e satisfaz as condições da pintura viva, a pintura que se respira e sentimos, liberta de amadorismos. Vejam, que até o Ferreira Chaves e o Lassere, experimentados floristas, empalidecem ao lado desta senhora. Se não é um homem a pintar, é o diabo por ela. Perguntam uns aos outros quem é a artista. –

Discípula de Greno? Ora! Ora! Ele não sabe de si, quanto mais ensinar os outros! Alguém a conhece pessoalmente? Não? Pois aqui deve haver marosca! – Também acho estranho. Nenhuma analogia existe entre a pintura lambida e adocicada do Adolfo e este realismo audacioso, nada feminil, da suposta discípula. A não ser que trocassem os sexos. Ele deve ser ela, e vice-versa».

Nesta exposição ganharia a Terceira Medalha, bem como o seu marido, não sem discussão quanto à qualidade do segundo… A partir desta mostra Josefa seria a mais celebrada pintora de flores.

O regresso dos Grenos a Portugal ocorreu em 1886. Participaram nesse ano na Sexta Exposição do Grupo do Leão registando o catálogo a morada definitiva do casal na Travessa de S. Mamede. Josefa apareceu assim, pela primeira vez, nesse certame com dezassete óleos. Entretanto, o casal conseguiu um atelier, perto da sua residência. Josefa devotou-se inteiramente ao trabalho, seleccionando amizades e frequentando poucas reuniões sociais, isolava-se cada vez mais. Num tempo em que a Pintura era ainda janela, Josefa evadia-se numa coincidência com o ponto de fuga.

Não farei aqui o arrolamento das exposições em que Josefa participou mas, convém destacar, que na primeira exposição do Grémio Artístico, em 1891, obteve igualmente êxito assinalável, apresentando dezassete pinturas, um pano de leque pintado a guache e um pastel.

Tanto os amigos mais próximos do casal quanto os conhecidos consideraram que a maior crise nervosa de Josefa começou justamente em 1895, altura em que o marido, boémio encartado com sucursais em Lisboa, se apropriou indevidamente das poupanças que arduamente tinha conseguido reunir.

Desfeita pelo desespero, e outros sentimentos de igual calibre, na noite de 7 de Abril de 1901, Josefa disparou um tiro sobre o marido, não o atingindo. Adolfo Greno parece não ter dado grande importância ao sucedido. Aparentemente a vida decorria como era comum entre o casal de tal forma que Josefa participou ainda na primeira exposição da Sociedade Nacional de Belas-Artes que inaugurou em 15 de Maio de 1901.

Após vários anos de suplício, Josefa não aguentou: na noite de 25 para 26 de Junho atingiu o marido com quatro tiros. Infelizmente criou, no concreto, a sua última natureza morta ficando o sucedido intitulado como «o horrível crime da

Travessa de S. Mamede» ou como o «caso Greno» sendo alvo de vários folhetos de cordel. Morbidamente os quadros expostos nas Sociedade Nacional de Belas-Artes «foram todos adquiridos depois do fatal dia 26 de Junho».

Foi levada para o Aljube e no rol dos depoimentos não deixa de ser significativo que o seu cunhado, Carlos Greno, tenha deposto a seu favor. Foi transferida para Rilhafoles, em 2 de Julho, e Miguel Bombarda, director do hospital, proibiu-lhe as visitas. Ninguém mais a tornou a ver com vida. Bombarda estudou o caso parecendo fixar-se em demasia na atribuição de um delírio: recolheu vários pareceres de célebres congéneres estrangeiros escrevendo o médico que se tratavam de «documentos decisivos: todos conclu[indo] pela morbidez de Josefa Greno». Parece haver, no entanto alguma precipitação porque, de facto, muitos deles pediam para se clarificarem aspectos importantes…

Terminado o processo médico-legal praticamente toda a imprensa declarou Josefa como «doida». Não foi apenas nos jornais que a sua memória foi mais ou menos denegrida. Contudo, A paródia de 30 de Outubro publicou uma caricatura de Manuel Gustavo Bordalo Pinheiro intitulada «Paranoiquice ao ar livre» de teor um pouco diferente.

Declarado o mal de Bright (afecção renal) a que se somava a decadência nevrótica, faleceu às 21 horas do dia 27 de Janeiro de 1902 – sete meses depois de internada. Doze horas mais tarde procedeu-se à autópsia sendo o próprio doutor Miguel

Bombarda a realizá-la. No entanto, foi Silva Amado, o assistente, que notou na autópsia que o coração de Josefa tinha mais do dobro do peso e da medida de um coração feminino… O seu processo contém ainda uma carta escrita em castelhano que revela um enorme desespero. Um coração grande que certamente verteu sangue e água, glosando em nova ordem o nome Greno: negro.

II. Fanny Munró: coração naufragado

Fanny Munró
Fig. 2 – .Fanny Munró. Álbum de família. Colecção particular.

Francisca Joyce Munró, mais (des)conhecida por Fanny Munró, nasceu em 1846 e faleceu, em Lisboa, em 1926 (1). Filha de Charles Alexander Munró e de Maria José Peters Joyce Munró . Na família foi sempre observada como a menina diferente, contemplativa e introvertida. Sabe-se que conhecia de cor alguns poetas ingleses e que acompanhava, com entusiasmo, o movimento literário português.

(1) – Quero agradecer, expressivamente, a cedência de informação variada sobre esta artista à Sr.ª D. Ana Maria Rocha.

Discípula de Silva Porto trabalhou em atelier próprio, situado nos Restauradores espaço cedido pelo seu cunhado Policarpo Anjos. Participou entre outras nas exposições do Grémio Artístico. Tendo permanecido solteira, morou na casa da irmã mais nova Alice Munró dos Anjos e de Policarpo Pecquet Ferreira dos Anjos aos Restauradores.

O mar foi sem dúvida um dos referentes mais glosados pela artista o que não era muito comum se o compararmos com as temáticas abordadas pelas suas colegas.

Referi que permaneceu solteira, mas sabe-se que viveu uma forte paixão com Filipe de Andrade, um homem que a família mal conheceu. Não era da mesma condição social da artista, o que naquela época não era problema menor, mas tinham os mesmos interesses: Poesia, Artes Plásticas e a contemplação da natureza. Um dia as cartas que frequentemente trocavam deixaram de ser respondidas. Fanny estranhou. A família fez uma discreta investigação nada apurando, em concreto, além do seu desaparecimento. Para constrangimento de todos, foi através dos jornais que souberam que Filipe de Andrade tinha sido misteriosamente encontrado morto, por afogamento, no Tejo… Quando tomou conhecimento do sucedido o seu coração mergulhou em tristeza e nunca mais quis pensar em casamento. O mar que lhe roubou o ente amado seria representado até ao fim da vida, talvez como quem exorciza uma força indomável que a impediu de concretizar o seu amor. Este dado pode dar-nos uma nova leitura sobre a preferência pela pintura de marinhas.

III. Joana Vasconcelos: coração independente

Joana Vasconcelos, nasceu em Paris, em 1971. O carácter lúdico de muitos objectos que cria transferiu-se igualmente para o livro-jogo que Agustin Pérez Rubio lhe dedicou.

Joana Vasconcelos
Fig. 3 – .Vasconcelos, Coração Independente, na exposição O nome que no peito escrito tinhas, Pavilhão Centro de Portugal, Coimbra, 4 de Julho a 4 de Setembro de 2005. Fotografia Sandra Leandro.

Coração Independente é uma peça que facilmente origina uma intensa produção de sentido ao concentrar-se no centro vital do ser humano. A apropriação física do lugar mítico do Amor, que por ser um sentimento não tem materialidade, mas que como metáfora se sediou no coração. O Amor como algo que deixa em suspenso, que, se por um lado, confere certa segurança, por outro tira-a. Conquistar o coração de alguém é, em certa medida, fazê-lo perder o domínio de si mesmo como regista o Cântico dos cânticos.

Coração Independente é um verso do fado que Amália compôs e cantou, intitulado «Estranha forma de vida». Mas esta forma não é estranha: o modelo são os delicados corações de filigrana de Viana do Castelo. O fado diz «Coração independente, / coração que não comando: / vive perdido entre a gente, / teimosamente sangrando, / coração independente». É jogar com uma metafórica impossibilidade de se ser, na Terra, independente do coração e reforça esse impedimento ao cantar: «Eu não te acompanho mais».

Construído com cinco mil talheres de piquenique torcidos a quente, a escala do coração foi alterada, magnificada. Não é certamente por acaso que é debruado por facas: o talher que mais fatalmente perfura. A relação entre o Amor e a ferida é evidente e não necessita grandes explicações… O que os atravessa, o que os parte, o que os golpeia por dentro e por fora?

O garfo que segura e agarra, a colher que ajuda a ingerir. O Amor que se pode querer excessivo e fatal pode igualmente não se coadunar com a imperfeição de um quotidiano que tem de utilizar talheres… O mundo humano não comporta a perfeição, mas também pode ser nessa imperfeição que se encontra o Amor…

Peça laboriosa, como que valorizando um saber fazer, é simultaneamente uma peça muito e pouco criptada, criando, como vimos, uma intrincada rede de sentidos. Existe uma versão anterior, cujo acrílico utilizado é amarelo: uma peça site specific criada para o restaurante Eleven em Lisboa, situado justamente no Jardim Amália Rodrigues. Na sua transparência de acrílico colorido, o brilho da sua expressão semi-esconde o lume, pode fazer pensar em corações em chamas e tal como observa Maria Zambrano essa foi outra das metáforas do coração: o fogo.

sandra leandro
Sandra Leandro, Universidade de Évora

Breve Nota curricular

Sandra Leandro – Mestre em História da Arte Contemporânea pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, com a dissertação Teoria e Crítica de Arte em Portugal (1871-1900), apresentada em 1999, termina o Doutoramento na mesma Universidade. Actualmente (2006-2007), lecciona as cadeiras de Estudos de Arte I, III e IV, na Licenciatura de Artes Visuais e Metodologia da Investigação no Mestrado de Artes Visuais – Intermedia da Universidade de Évora. Foi docente das cadeiras de Comunicação Visual e Estudos de Arte II na UE; de Linguagens da criatividade no Mestrado em Património Cultural da Universidade Católica Portuguesa (os dois primeiros anos em parceria com a Professora Clara Menéres); de Cultura Portuguesa; História da Arte e Literatura e Cultura Portuguesa no Instituto Superior de Educação e Ciências. Dos Centros de Investigação a que pertence, mencione-se Faces de Eva – Centro de Estudos sobre a Mulher, da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa (pertencendo à redacção da revista desde o ano 2000); Instituto de História da Arte da FCSH-UNL; CLEPUL – Centro de Literaturas de Expressão Portuguesa das Universidades de Lisboa. Em 1998, foi comissária da exposição «Lino António (1898-1974)». Dos últimos trabalhos publicados refira-se, entre outros: «Ver num instante: um, meio e multidão». In Joshua Benoliel 1873-1932: repórter fotográfico, Câmara Municipal de Lisboa; Arquivo Fotográfico Municipal de Lisboa, 2005; Patrimónios pouco visíveis: as pintoras Josefa Greno (1850-1902) e Fanny Munró (1846-1926) http://www.apha.pt/boletim/boletim4/default.htm – on-line desde 8.12.2006; «Invisíveis e intangíveis nos Estudos de Arte: João Couto e o laboratório científico»; «O mito do recriador: Luciano Freire e os trabalhos de conservação e restauro da “Pintura Antiga”». In 40 anos do Instituto José de Figueiredo. Lisboa: IPCR, 2007.
Estudosdearte.com

2 Responses to “Metáforas e representações do Coração na Arte Moderna e Contemporânea – Sandra Leandro”


  1. 1 Fernando 21 Setembro, 2007 às 6:14 pm

    Fiquei impressionado com as duas pequenas narrativas iniciais sobre artistas que desconhecia.O trágico dessas histórias e o esquecimento desses personagens me fez ler até o fim.Mesmo não sendo um leitor de internet.
    Fiquei querendo conhcer as imagens produzidas por essas artistas.
    E parabéns pela pesquisa,Sandra Leandro

  2. 2 silvia 30 Setembro, 2008 às 8:57 pm

    bondia,meu portugues è muito mau desculpe.estou tentando compreender a forma do “coraçao de viana” utilizada no “coraçao independente” de J. vasconcelos(arrebitado)Pode você ajudar me? Muito obrigada.


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